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03 dezembro 2020, 18:14

Marcas locais e varejo: uma parceria promissora

A relação entre redes varejistas e fornecedores locais pode ser descrita como um ganha-ganha, pois os dois lados são beneficiados nas negociações. Quando esse encontro acontece, os pequenos e médios produtores conseguem se posicionar no varejo e colocar em evidência produtos que são cada vez mais valorizados pelos consumidores, sobretudo, os que buscam novidades, saudabilidade, alinhamento de propósito e itens menos processados, com destaque para alimentos orgânicos e veganos.

O varejista, por sua vez, é favorecido, principalmente, pela possibilidade de ampliar a diversificação do sortimento, diferenciando-se da concorrência. Além disso, consegue realizar negociações com fornecedores mais predispostos a flexibilizar condições e a construir parcerias duradouras, beneficiando os dois lados.

A grande questão é fazer esse encontro acontecer. A marca local, muitas vezes, tem dificuldade para acessar o varejo, enquanto lojistas nem sempre conseguem identificar com facilidade parceiros que tenham afinidade com seu negócio. Esse contexto mobilizou a criação da Local.e, uma plataforma online desenvolvida para conectar marcas locais e redes varejistas.

No Brasil, o segmento varejista é marcado pela predominância das grandes marcas, avalia a cofundadora da Local.e, Leila Okumura. Com uma trajetória de 15 anos na Nielsen – sendo quase metade desse tempo atendendo multinacionais, como Barilla, Unilever e Procter, na Europa. “Quando eu voltei para o Brasil comecei a ver, principalmente, pouca diversidade de marcas e produtos nos supermercados brasileiros. O sortimento é muito parecido de uma loja para outra.”

Leila avalia que os pequenos e médios fabricantes têm demonstrado maior capacidade de inovação – a ponto de atraírem investimentos de grandes empresas, muitas vezes. “As multinacionais estão olhando para as marcas locais, em busca de inovação”, demonstra. “As marcas locais inovam mais, principalmente, em relação a saudabilidade e processos mais naturais, menos ultraprocessados. A inovação está vindo das pequenas empresas.”

Apesar disso, esses fornecedores ainda encontram dificuldades para acessar o varejo. “A dinâmica favorece muito a grande empresa, porque há uma relação já estabelecida”, explica Leila. “O principal problema, hoje, é que o varejista não está muito ciente de que existe todo um universo de marcas diferenciadas que podem agregar um sortimento diferenciado e que o consumidor está dando mais valor para isso.”

Por meio da plataforma Local.e, fica mais fácil fazer essa conexão. Em um ano, o sistema já promoveu mais de 2,5 mil contatos entre varejistas e fornecedores locais, fomentando um ecossistema que beneficia fabricantes, lojistas e consumidores. Atualmente, a plataforma possui 2,2 mil marcas de todo o Brasil que comercializam mais de 5,5 mil produtos na linha de alimentos e bebidas. Leila destaca que a Local.e vai ampliar o portfólio para outras categorias, como limpeza, beleza e pet.

A plataforma já soma 440 varejistas, que utilizam o sistema para desenvolver identificar novos fornecedores. A procura tem atraído desde empórios naturais e produtores a granel a grandes redes, como Zaffari e Muffato.

Novidades são bem-vindas

O grande impulsionador das marcas locais é o consumidor, que está mais atento aos produtos que consome. “Mais da metade dos brasileiros declara que gosta de provar novos produtos e novas marcas”, assinala Leila. “As pessoas estão mais preocupadas em conhecer a origem dos produtos e os ingredientes que estão consumindo”. Ou seja, a saudabilidade é cada vez mais decisiva no momento da compra. Com isso, alimentos orgânicos, veganos ou que entreguem novas opções para o consumidor ganham destaque.

“Muitas dessas marcas locais surgiram da insatisfação de não ter um produto bom no mercado. Pequenos produtores também estão na frente nesse movimento voltado para saudabilidade e veganismo”, argumenta Leila. Trazer opções que o consumidor deseja e nem sempre consegue encontrar faz com que o PDV se diferencie da concorrência.

Outra vantagem da parceria com marcas locais é o alinhamento de propósito. Redes varejistas conseguem estabelecer uma relação muito positiva com fabricantes que compartilham os mesmos valores. Além disso, o apoio a pequenos fabricantes faz com que o varejo contribua com a economia, fomentando a geração de emprego e a receita. “O movimento do consumo local, nos Estados Unidos e na Europa, já é muito forte e vai crescer por aqui também”, projeta Leila.

Redes varejistas fortalecem relação com fornecedores

O movimento de apoio às marcas locais (#ApoieMarcasLocais), iniciado pela Local.e, tem contado com a adesão de importantes varejistas. Uma das redes que se engajou nesse tema foi a Natural da Terra, que destacou, em suas 59 lojas localizadas na região Sudeste, 120 produtos fabricados por 90 empresas brasileiras de pequeno porte – parte desses fornecedores já tinham relacionamento com a Natural da Terra e outros foram descobertos a partir da plataforma.

A ação foi iniciada em abril, momento em que os pequenos fabricantes mais dependiam de apoio por conta da pandemia do novo coronavírus. Além disso, o alinhamento da rede Natural da Terra com esses negócios é outro aspecto que tornou a iniciativa ainda mais relevante. “Convidar nossos clientes a conhecer mais sobre a trajetória de produtores regionais ou pequenas empresas e apoiar marcas locais é algo já conectado ao propósito da Hortifruti Natural da Terra, uma companhia que preza pela origem dos produtos que traz para suas bancas e gôndolas, com o intuito de promover uma vida mais natural”, sublinha o CEO da Hortifruti Natural da Terra, Thiago Picolo.

Recentemente, foi a vez da rede cearense de supermercados Super Lagoa aderir ao movimento, disponibilizando e colocando em evidência mais de 40 marcas locais, em seis dos 13 estabelecimentos do grupo. Sobre a inciativa, Leila comenta que a maior exposição tem contribuído para que esses fornecedores consigam aumentar suas vendas mesmo em um cenário tão desafiador quanto o atual. “O varejo enxerga a importância e a responsabilidade de apoiar esses pequenos fabricantes, já que o segmento permaneceu aberto durante a pandemia”, resume.

Fonte: Super Varejo

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