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30 junho 2021, 12:08

Bandeira tarifária 2 tem reajuste de 52%, mas valor pode mudar em agosto

PODER 360

Montante será acrescido à fatura de energia e vale para julho a cada 100 quilowatts-hora

Especialistas preveem que a bandeira vermelha seja acionada até o fim do ano por causa da crise hídrica (Foto Freepik)

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) decidiu na 3ª feira (29.jun.2021) reajustar a bandeira tarifária 2 –a mais cara do sistema de bandeiras– em 52,1%. Com o aumento, a cada 100 quilowatts-hora consumidos serão pagos R$ 9,49.

A alta vale para julho. A agência reguladora já havia decidido na 6ª feira (25.jun) que os consumidores pagarão o acréscimo ao longo do próximo mês.

O sistema de bandeiras é usado para determinar o valor cobrado aos consumidores a partir das condições de geração de energia elétrica. Conforme a disponibilidade de insumos para a produção, a bandeira pode ser alterada em uma escala de verde, amarela e vermelha, sendo a última quando há mais dificuldades.

Os diretores decidiram também que abrirão uma consulta pública para discutir a metodologia de cálculo desse sistema. O entendimento é que, considerando que o Brasil vive a pior crise hídrica desde 1931, o cálculo atual não atende os custos da geração de energia elétrica.

Como mais de 60% da matriz elétrica brasileira é hidráulica, a geração de energia está prejudicada e o governo aciona as usinas térmicas, mais caras e mais poluentes. A ideia é que a nova metodologia seja aplicada já em agosto.

Com a decisão desta 3ª feira valem os seguintes valores:

Apesar da situação, o governo nega risco de apagão ou racionamento de energia elétrica. Em pronunciamento em rede nacional nesta 2ª feira (28.jun), o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) pediu, no entanto, economia voluntária por parte dos consumidores.

Na mesma data, o governo editou uma MP (medida provisória) que cria a Creg (Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética) –grupo de ministros que poderá impor medidas de gestão das águas e de energia. Propõe também, mas sem detalhar, que as contratações de reserva de capacidade de energia elétrica sejam realizadas via “procedimentos competitivos simplificados”.

IMPACTO NA ECONOMIA

O Banco Central já sinalizou que as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, influenciando a alta de juros. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de junho, considerado a prévia da inflação, acelerou e atingiu 0,83%. O grupo habitação foi um dos que puxou a alta, afetado pelo aumento de 3,85% da energia elétrica.

Projeções da Ativa Investimentos apontam alta de 0,77% na inflação de julho por conta do reajuste: “como estimamos que a bandeira que estará em vigor em dezembro desse ano também será vermelha 2, elevamos nossa projeção de 5,74 para 5,88%”. O centro da meta da autoridade monetária para 2021 é de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

Fonte: Por Ludmylla Rocha – PODER 360

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