
O custo do tradicional café preto, consumido diariamente pela grande maioria dos brasileiros, tem apresentado aumentos consecutivos durante os últimos meses. Ao que tudo indica, os alimentos mais básicos estão pesando muito no bolso do consumidor, em plena crise econômica.
De acordo com o levantamento feito pela agência de alimentos das Nações Unidas, o país registrou elevação anual de 31% para grãos, pão, óleo, vegetais e açúcar. E como se não bastasse, é preciso estar preparado para uma nova alteração nos preços, principalmente se tratando do café.
No mês de julho o café grão arábica, por exemplo, chegou a acumular alta de 50%. Esta é a maior porcentagem dos últimos sete anos. Segundo especialistas, são diversos fatores em cena que contribuem para a piora do quadro econômico no setor.
A pandemia provocou a primeira queda no consumo de café desde 2011
Custo com o transporte
Para começar, é importante explicar como o custo com o transporte afeta diretamente o valor do café. Acontece que existe uma escassez de contêineres e, em paralelo, tem a alta no combustível, que são essenciais para a distribuição das cargas pelos centros comerciais.
Além disso, alguns produtores também se queixam de má organização por parte dos meios de transporte, o que faz com que as entregas levem mais tempo para ser efetuadas. Como já dizia o ditado: tempo é dinheiro.
O Brasil está uma bagunça logística agora. Tenho cafés que levam dois meses para chegar e ainda não os recebi”, afirma Thiago Cazarini, corretor de café em Minas Gerais.
Prejuízos com a geada
De maio para cá, o Brasil tem atingido baixas temperaturas, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste. Em muitos casos, o frio veio acompanhado de geada intensa, fazendo com que os agricultores de café, entre outros alimentos, tenham perdas consideráveis nas lavouras.
O Monitoramento de Geadas aponta que, somente no dia 20 de julho, 200 mil hectares plantados com café arábica foram atingidos e destruídos devido as condições climáticas.
Para completar, teve também a estiagem prolongada. O boletim divulgado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mostrou que 348 municípios brasileiros enfrentam uma seca extrema.
Alta no IPCA
Como foi mencionado, o mês de julho fechou com alta no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o que deixa a previsão para os próximos meses negativa.
Afinal, diante da combinação de prejuízos causados pela geada e pelo frio que resultou em grandes perdas na produção de café, a colheita de 2022 pode estar comprometida entre muitos produtores.
O efeito nos preços, infelizmente, não poderia ser diferente, pois conforme explica a lei da oferta e da procura, quanto menor for a disponibilidade e maior for a demanda, mais caro fica.
Fontes: Globo Rural e UOL │Nodetalhe