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03 agosto 2021, 14:24

Balanços dos maiores refletem mudanças no varejo

Movimento nos atacarejos disparou no primeiro semestre e há grande oportunidade para expansão

SUPERHIPER

Imagem de Here and now, unfortunately, ends my journey on Pixabay por Pixabay

As três maiores redes de varejo alimentar do Brasil divulgaram seus resultados do segundo trimestre nesta semana: Carrefour (CRFB3), Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) e Assaí (ASAI3). E, segundo analistas, os números mostram mudanças importantes no setor.

A primeiro delas é o grau de relevância que o segmento atacarejo ganhou no país. Para se ter uma ideia, o Assaí lucrou quase 76 vezes mais que o seu antigo controlador, o Pão de Açúcar: R$ 305 milhões ante R$ 4 milhões.

No caso do Carrefour, foi a linha do atacarejo, com o seu Atacadão, que brilhou: as vendas brutas somaram R$ 14,1 bilhões, alta de 19,7%.

Esse é o quarto trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos no segmento, corroborando a mudança de hábitos do consumidor.

O Banco Carrefour foi outro destaque: atingiu faturamento de R$ 11,8 bilhões, alta 50% no ano, impulsionado tanto por cartões de crédito (Carrefour e Atacadão) quanto por outros produtos, principalmente concentrados em crédito pessoal.

Já as vendas da linha de varejo do grupo francês totalizaram R$ 5,4 bilhões, queda de 7,3%.

“As sucessivas crises e dificuldades econômicas enfrentadas pelos brasileiros nos últimos anos reformularam os hábitos de consumo. Como consequência, os consumidores passaram a buscar preços mais atraentes e a diminuir o fluxo de visitas. Em 2020, com a pandemia, essa rotina ganhou ainda mais força”, aponta o Inter em relatório enviado a clientes.

Em 2020, o Grupo Carrefour adquiriu 30 lojas do Makro enquanto o Assaí foi cindido do GPA numa estratégia de destravar todo seu valor.

E-commerce de alimentos

Outro ponto de destaque foi a venda de alimentos pela internet. A pandemia, notadamente, fez com que os brasileiros ficassem receosos de ir ao supermercado, impulsionando o segmento.

Com isso, as companhias tiveram que fazer altos investimentos no setor de logística, seja pelo seu e-commerce mais desenvolvido em relação aos rivais menores, ou por facilidade de entrada nos aplicativos como Rappi e Ifood.

“Os custos logísticos e de tecnologia configuram-se como importante barreira de entrada no canal online. Em um segmento onde as margens são tradicionalmente menores, oferecer o formato digital definitivamente não é para qualquer um”, aponta o Inter.

Para a corretora, as varejistas de alimentos que conseguirem oferecer produtos a preços mais competitivos devem ser as grandes vencedoras no longo prazo.

O Pão de Açúcar teve um desempenho considerado fraco por analistas, mas não faltaram elogios para o seu e-commerce, por exemplo.

“O caminho para um digital por meio de um ecossistema de varejo forte em alimentos deverá ser um possível catalisador de crescimento para da companhia”, aponta o analista da Ativa Investimentos Pedro Serra.

As vendas já representam 8,2% da venda total do segmento de alimentos do GPA, com picos de 20% de representatividade.

O volume bruto de mercadoria (GMV, na sigla em inglês) das operações online segue crescendo, alcançando R$ 428 milhões no trimestre, patamar superior inclusive ao GMV do quarto trimestre (que tem efeitos sazonais como Natal e Black Friday).

“A criação de um ecossistema digital com programa de fidelidade é a estratégia da companhia para dominar o nicho online no longo prazo”, diz.

Hora de consolidar

Ao todo, essas três varejistas possuem aproximadamente um market share combinado de 40%. No entanto, embora gigantes, o setor ainda é fragmentado, aponta o Inter.

“Existe baixa penetração de varejistas de alimentos por habitante e grande oportunidade de expansão, sobretudo nas cidades do interior”, completa.

Fonte: Por Renan Dantas, Money Times / SUPERHIPER

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